Você está aqui: Página Inicial » Gramática » Pontuação

Pontuação

Os sinais de pontuação são utilizados com o objetivo de demarcar unidades e sinalizar os limites das estruturas sintáticas nos textos
Os sinais de pontuação são utilizados com o objetivo de demarcar unidades e sinalizar os limites das estruturas sintáticas nos textos

Os sinais de pontuação são recursos de linguagem empregados na língua escrita e desempenham a função de demarcadores de unidades e de sinalizadores de limites de estruturas sintáticas nos textos escritos. Assim, os sinais de pontuação cumprem o papel dos recursos prosódicos, utilizados na fala para darmos ritmo, entoação e pausas e indicarmos os limites sintáticos e unidades de sentido.

Como na fala temos o contato direto com nossos interlocutores, contamos também com nossos gestos para tentar deixar claro aquilo que queremos dizer. Na escrita, porém, são os sinais de pontuação que garantem a coesão e a coerência interna dos textos, bem como os efeitos de sentidos dos enunciados.

Vejamos, a seguir, quais são os sinais de pontuação que nos auxiliam nos processos de escrita:

Ponto ( . )

a) Indicar o final de uma frase declarativa:

  • Gosto de sorvete de goiaba.

b) Separar períodos:

  • Fica mais um tempo. Ainda é cedo.

c) Abreviar palavras:

  • Av. (Avenida)

  • V. Ex.ª (Vossa Excelência)

  • p. (página)

  • Dr. (doutor)

Dois-pontos ( : )

a) Iniciar fala de personagens:

  • O aluno respondeu:

– Parta agora!

b) Antes de apostos ou orações apositivas, enumerações ou sequência de palavras que explicam e/ou resumem ideias anteriores.

  • Esse é o problema dos caixas eletrônicos: não tem ninguém para auxiliar os mais idosos.

  • Anote o número do protocolo: 4254654258.

c) Antes de citação direta:

  • Como já dizia Vinícius de Morais: “Que o amor não seja eterno posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure.”

Reticências ( ... )

a) Indicar dúvidas ou hesitação:

  • Sabe... andei pensando em uma coisa... mas não é nada demais.

b) Interromper uma frase incompleta sintaticamente:

  • Quem sabe se tentar mais tarde...

c) Concluir uma frase gramaticalmente incompleta com a intenção de estender a reflexão:

  • Sua tez, alva e pura como um foco de algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-rosa...” (Cecília - José de Alencar)

d) Suprimir palavras em uma transcrição:

  • Quando penso em você (...) menos a felicidade.” (Canteiros - Raimundo Fagner)

Parênteses ( )

a) Isolar palavras, frases intercaladas de caráter explicativo, datas e também podem substituir a vírgula ou o travessão:

  • Manuel Bandeira não pôde comparecer à Semana de Arte Moderna (1922).

  • "Uma manhã lá no Cajapió (Joca lembrava-se como se fora na véspera), acordara depois duma grande tormenta no fim do verão.” (O milagre das chuvas no Nordeste- Graça Aranha)

Ponto de Exclamação ( ! )

a) Após vocativo

  • Ana, boa tarde!

b) Final de frases imperativas:

  • Cale-se!

c) Após interjeição:

  • Ufa! Que alívio!

d) Após palavras ou frases de caráter emotivo, expressivo:

  • Que pena!

Ponto de Interrogação ( ? )

a) Em perguntas diretas:

  • Quantos anos você tem?

b) Às vezes, aparece com o ponto de exclamação para enfatizar o enunciado:

  • Não brinca, é sério?!

Vírgula ( , )

De todos os sinais de pontuação, a vírgula é aquele que desempenha o maior número de funções. Ela é utilizada para marcar uma pausa do enunciado e tem a finalidade de nos indicar que os termos por ela separados, apesar de participarem da mesma frase ou oração, não formam uma unidade sintática. Por outro lado, quando há uma relação sintática entre termos da oração, não se pode separá-los por meio de vírgula.

Antes de explicarmos quais são os casos em que devemos utilizar a vírgula, vamos explicar primeiro os casos em que NÃO devemos usar a vírgula para separar os seguintes termos:

a) Sujeito de Predicado;

b) Objeto de Verbo;

c) Adjunto adnominal de nome;

d) Complemento nominal de nome;

e) Predicativo do objeto do objeto;

f) Oração principal da Subordinada substantiva (desde que esta não seja apositiva nem apareça na ordem inversa).

Casos em que devemos utilizar a vírgula:

A vírgula no interior da oração

a) Utilizada com o objetivo de separar o vocativo:

  • Ana, traga os relatórios.

  • O tempo, meus amigos, é o que nos confortará.

b) Utilizada com o objetivo de separar apostos:

  • Valdirene, minha prima de Natal, ligou para mim ontem.

  • Caio, o aluno do terceiro ano B, faltou à aula.

c) Utilizada com o objetivo de separar o adjunto adverbial antecipado ou intercalado:

  • Quando chegar do trabalho, procurarei por você.

  • Os políticos, muitas vezes, são mentirosos.

d) Utilizada com o objetivo de separar elementos de uma enumeração:

  • Estamos contratando assistentes, analistas, estagiários.

  • Traga picolé de uva, groselha, morango, coco.

e) Utilizada com o objetivo de isolar expressões explicativas:

  • Quero o meu suco com gelo e açúcar, ou melhor, somente gelo.

f) Utilizada com o objetivo de separar conjunções intercaladas:

  • Não explicaram, porém, o porquê de tantas faltas.

g) Utilizada com o objetivo de separar o complemento pleonástico antecipado:

  • A ele, nada mais abala.

h) Utilizada com o objetivo de isolar o nome do lugar na indicação de datas:

  • Goiânia, 01 de novembro de 2016.

i) Utilizada com o objetivo de separar termos coordenados assindéticos:

  • É pau, é pedra, é o fim do caminho.

j) Utilizada com o objetivo de marcar a omissão de um termo:

  • Ele gosta de fazer academia, e eu, de comer. (omissão do verbo gostar)

Casos em que se usa a vírgula antes da conjunção e:

1) Utilizamos a vírgula quando as orações coordenadas possuem sujeitos diferentes:

  • Os banqueiros estão cada vez mais ricos, e o povo, cada vez mais pobre.

2) Utilizamos a vírgula quando a conjunção “e” repete-se com o objetivo de enfatizar alguma ideia (polissíndeto):

  • E eu canto, e eu danço, e bebo, e me jogo nos blocos de carnaval.

3) Utilizamos a vírgula quando a conjunção “e” assume valores distintos que não retratam sentido de adição (adversidade, consequência, por exemplo):

  • Chorou muito, e ainda não conseguiu superar a distância.

A vírgula entre orações

A vírgula é utilizada entre orações nas seguintes situações:

a) Para separar as orações subordinadas adjetivas explicativas:

  • Meu filho, de quem só guardo boas lembranças, deixou-nos em fevereiro de 2000.

b) Para separar as orações coordenadas sindéticas e assindéticas, com exceção das orações iniciadas pela conjunção “e”:

  • Cheguei em casa, tomei um banho, fiz um sanduíche e fui direto ao supermercado.

  • Estudei muito, mas não consegui ser aprovada.

c) Para separar orações subordinadas adverbiais (desenvolvidas ou reduzidas), principalmente se estiverem antepostas à oração principal:

  • "No momento em que o tigre se lançava, curvou-se ainda mais; e fugindo com o corpo apresentou o gancho." (O selvagem - José de Alencar)

d) Para separar as orações intercaladas:

  • "– Senhor, disse o velho, tenho grandes contentamentos em estar plantando-a...”

e) Para separar as orações substantivas antepostas à principal:

  • Quando sai o resultado, ainda não sei.

Ponto e vírgula ( ; )

a) Utilizamos ponto e vírgula para separar os itens de uma sequência de outros itens:

  • Antes de iniciar a escrita de um texto, o autor deve fazer-se as seguintes perguntas:

I- O que dizer;

II- A quem dizer;

III- Como dizer;

IV- Por que dizer;

V- Quais objetivos pretendo alcançar com este texto?

b) Utilizamos ponto e vírgula para separar orações coordenadas muito extensas ou orações coordenadas nas quais já se tenha utilizado a vírgula:

  • O rosto de tez amarelenta e feições inexpressivas, numa quietude apática, era pronunciadamente vultuoso, o que mais se acentuava no fim da vida, quando a bronquite crônica de que sofria desde moço se foi transformando em opressora asma cardíaca; os lábios grossos, o inferior um tanto tenso." (O Visconde de Inhomerim - Visconde de Taunay)

Travessão ( )

a) Utilizamos o travessão para iniciar a fala de um personagem no discurso direto:

A mãe perguntou ao filho:

  • Já lavou o rosto e escovou os dentes?

b) Utilizamos o travessão para indicar mudança do interlocutor nos diálogos:

  • Filho, você já fez a sua lição de casa?

  • Não se preocupe, mãe, já está tudo pronto.

c) Utilizamos o travessão para unir grupos de palavras que indicam itinerários:

  • Disseram-me que não existe mais asfalto na rodovia BelémBrasília.

d) Utilizamos o travessão também para substituir a vírgula em expressões ou frases explicativas:

  • Pelé o rei do futebol anunciou sua aposentadoria.

Aspas ( “ ” )

As aspas são utilizadas com as seguintes finalidades:

a) Isolar palavras ou expressões que fogem à norma culta, como gírias, estrangeirismos, palavrões, neologismos, arcaísmos e expressões populares:

  • A aula do professor foi irada.

  • Ele me pediu um feedback da resposta do cliente.

b) Indicar uma citação direta:

  • Ia viajar! Viajei. Trinta e quatro vezes, às pressas, bufando, com todo o sangue na face, desfiz e refiz a mala. (O prazer de viajar - Eça de Queirós)

FIQUE ATENTO!

Caso haja necessidade de destacar um termo que já está inserido em uma sentença destacada por aspas, esse termo deve ser destacado com marcação simples ('), não dupla (").

VEJA AGORA ALGUMAS OBSERVAÇÕES RELEVANTES:

Dispensam o uso da vírgula os termos coordenados ligados pelas conjunções e, ou, nem.

Observe:

  • Preferiram os sorvetes de creme, uva e morango.

  • Não gosto nem desgosto.

  • Não sei se prefiro Minas Gerais ou Goiás.

Caso os termos coordenados ligados pelas conjunções e, ou, nem aparecerem repetidos, com a finalidade de enfatizar a expressão, o uso da vírgula é, nesse caso, obrigatório.

Observe:

  • Não gosto nem do pai, nem do filho, nem do cachorro, nem do gato dele.


Por Ma. Luciana Kuchenbecker Araújo


Artigos de "Pontuação"