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Geração de 1930

Texto:
por: Vânia Maria do Nascimento Duarte

A geração de 1930 e suas manifestações poéticas






Carlos Drummond de Andrade – Um dos representantes desta fase
Carlos Drummond de Andrade – Um dos representantes desta fase



Manifestações poéticas... O presente termo condiciona-nos à ideia de elementos específicos que o revelam como tal. Lirismo, subjetividade, emoções, aspectos formais, tais como: métrica, rima, soneto, dentre outros.

Parece já estarmos bem familiarizados com as referidas características, não é verdade? Mas, para que possamos apreender os aspectos que perfizeram toda a produção lírica de nossos representantes da era em evidência, é altamente sugestivo que enfatizemos algumas peculiaridades relacionadas à era modernista, mais precisamente no tocante à Semana de Arte Moderna, como ela se efetivou e, sobretudo, seus pressupostos ideológicos.

Em meio às instabilidades políticas ora demarcadas pelo clima de insatisfação decorrente da estabilidade econômica (oriunda da classe oligárquica), que desencadeou significativas revoltas, como a de 1924 e a Revolta do Forte de Copacabana, a queda da Bolsa de Valores de Nova Iorque, dentre outras, e, sobretudo, em meio às manifestações de uma burguesia extremamente voltada para os valores da cultura externa, foi dado o estopim para que os futuros representantes do Modernismo “lançassem seu grito de liberdade”.

E foi nesse clima turbulento que ocorreu, em fevereiro de 1922, a Semana de Arte Moderna – evento considerado o marco introdutório do Modernismo brasileiro. Notadamente, precisamos entender que o referido evento veio, digamos assim, a consolidar os anseios anteriormente manifestados pelos representantes pré-modernistas. Dentre os objetivos que nortearam de forma coletiva àqueles que de forma ímpar participaram da Semana estava o desejo de se instaurar uma poesia representada pela liberdade formal, na qual o desapego às estruturas até então cultuadas pudesse ceder lugar ao verso livre e às formas de composição totalmente irregulares.

Todos esses propósitos incidiram veementemente na revelação de renomados talentos que compuseram a segunda geração modernista, em especial na poesia. As conquistas alcançadas pela liberdade formal, aliadas ao descompromisso em protagonizar uma revolução estética, serviram de indícios para que fossem cultuados tanto os versos livres quanto as formas tradicionais. A temática, em decorrência de todo um clima de insatisfação social, uma vez revelado pelo medo, pela perplexidade diante da ocorrência de revoltas, guerras e, principalmente, pela incerteza gerada em função de toda essa realidade, tendeu a revelar-se por um caráter voltado para a universalização.

Paralelamente a essa característica, surge também a chamada poesia intimista, na qual a análise do ser humano, relacionando-se com o seu próprio “eu”, ocupa lugar de destaque. Tal concepção infere-se mediante o contexto histórico já descrito anteriormente, em que o poeta se atém ao transcendentalismo, exprimindo sob um tom confidencial todos os sentimentos mais profundos que norteiam o indivíduo. Materializando esses intentos, atribuímos aqui as figuras representativas que mais se destacaram no cenário de nossas letras. Entre eles destacamos: Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Jorge de Lima, Murilo Mendes e Cecília Meireles.