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Escolas literárias

Texto:
por: Luana Castro Alves Perez

Condoreirismo


O Condoreirismo, cuja maior expressão foi o poeta Castro Alves, foi a primeira manifestação literária a abordar o tema da escravidão no Brasil.





Antônio Frederico Castro Alves nasceu em Muritiba, BA, em 14 de março de 1847, e faleceu em Salvador, BA, em 6 de julho de 1871
Antônio Frederico Castro Alves nasceu em Muritiba, BA, em 14 de março de 1847, e faleceu em Salvador, BA, em 6 de julho de 1871



O Condoreirismo, importante corrente literária que marcou a terceira geração da poesia romântica no Brasil, teve como principal representante o poeta Castro Alves, cujo engajamento na poesia social lhe rendeu a alcunha de “poeta dos escravos”. Manifestação literária que ficou marcada pelo interesse com os problemas sociais brasileiros, sobretudo com a questão da escravidão dos negros, a poesia condoreira rompeu com a tradição romântica ao preterir temas como o ufanismo e o egocentrismo, características encontradas na primeira e na segunda fase do Romantismo.

Também conhecido como corrente hugoana, nome que faz alusão ao escritor francês Victor Hugo, o Condoreirismo encontrou no Brasil vários adeptos, como o já citado Castro Alves, Pedro Luís, Pedro Calasãs e Sousândrade. Na Europa, os poetas condoreiros defendiam a causa dos oprimidos sociais, como os operários da indústria e os camponeses; no Brasil, a poesia condoreira assumiu feições abolicionistas e republicanas, mostrando na literatura o lado feio da sociedade brasileira, a despeito do ufanismo encontrado na primeira fase do Romantismo. O nome Condoreirismo está associado ao condor e outros pássaros que voam alto e enxergam a grande distância, pois era assim que os poetas condoreiros pretendiam ser ao assumir a missão de mostrar o caminho da justiça e da liberdade para os “homens comuns”.

Contemporâneo de Castro Alves, Pedro Luís é o nome de condoreiro típico que pode ser comparado ao “poeta dos escravos” na Literatura Brasileira
Contemporâneo de Castro Alves, Pedro Luís é o nome de condoreiro típico que pode ser comparado ao “poeta dos escravos” na Literatura Brasileira

O Condoreirismo pode ser mais bem exemplificado a partir da leitura do fragmento do poema “O vidente”, de Castro Alves:

[...] Enfim a terra é livre! Enfim lá do Calvário
A águia da liberdade, no imenso itinerário,
Voa do Calpe brusco às cordilheiras grandes,
Das cristas do Himalaia aos píncaros dos Andes!
Quebraram-se as cadeias, é livre a terra inteira,
A humanidade marcha com a Bíblia por bandeira.
São livres os escravos... Quero empunhar a lira,
Quero que est'alma ardente um canto audaz desfira,
Quero enlaçar meu hino aos murmúrios dos ventos,
Às harpas das estrelas, ao mar, aos elementos! [...]”

Conciliando ideias de reforma social com os procedimentos específicos da poesia, Castro Alves foi o primeiro grande poeta social da literatura brasileira. Sua poesia, classificada como panfletária por muitos críticos, teve como principal objetivo interferir no processo social, mostrando assim que a arte pode ser engajada e conectada com o mundo exterior. Em “O vidente”, essa preocupação fica explícita, demonstrando o pensamento liberal-cristão do poeta que assumiu um compromisso com uma causa político-ideológica urgente à época e que certamente está entre os episódios mais vergonhosos da História brasileira.