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Literatura Portuguesa

Texto:
por: Vânia Maria do Nascimento Duarte

O Humanismo - Um período transitório entre a Idade Média e o Renascimento








O título do artigo em evidência nos chama a atenção para um fato de extrema relevância – a questão da transitoriedade. Para tanto, torna-se imprescindível fazermos uma breve recapitulação sobre os fatos que demarcaram o período antecedente a este conteúdo ora em estudo, pois tal procedimento tende a tão somente facilitar nossa compreensão para as peculiaridades vindouras.

A referência atribuída à época medieval nos insere a um contexto relacionado ao Trovadorismo. Período este em que as relações comerciais eram voltadas para o regime feudal: modalidade em que o poder econômico se concentrava nas mãos do senhor feudal (proprietário de grandes extensões de terras), e que a mão de obra era realizada pelo critério denominado de vassalagem, que não oferecia remuneração, mas sim “uma troca de favores”. Os vassalos (trabalhadores) recebiam como forma de pagamento apenas a proteção de seus superiores contra possíveis ataques e invasões.

As produções artísticas manifestavam-se por meio de cantigas trovadorescas, composições poéticas cantadas e acompanhadas por instrumentos musicais por intermédio dos trovadores. Outro elemento passível de destaque é a religião, essencialmente voltada para os valores cristãos, cuja figura divina era considerada o centro do universo – aspecto determinante na instauração de uma visão teocêntrica dos valores mundanos.

Conferidos todos esses pressupostos, tornamo-nos aptos a estabelecer uma familiaridade com o período caracterizado pelo Humanismo. Este se estendeu do final do século XV ao início do século XVI – época de grandes inovações no campo das artes, ciência e filosofia. Como sabemos, cada movimento literário que se instaura na história da Literatura traz consigo inúmeras mudanças, que refletem em todas as esferas da sociedade vigente. Desta feita, a propagação do Cristianismo em decorrência das Cruzadas, fez com que se alargasse o intercâmbio comercial entre as regiões do Mar Mediterrâneo. Consequentemente, foi notória a expansão da burguesia, classe que não pertencia nem à nobreza e nem à classe dos servos, haja vista que era ligada ao comércio, artesanato e à pequena indústria.

Tal expansão alavancou principalmente o crescimento do comércio, tornando inevitável o dinamismo econômico, representado pelo surgimento dos cheques e outras formas de movimentação financeira. Diante disso, o poder, antes concentrado nas mãos da nobreza, passava agora a pertencer àqueles que detinham grandes fortunas.

Como podemos perceber, a posição econômica se tornava privilegiada em detrimento à simples títulos de nobreza. Sem contar que a crise do feudalismo também se acentuava no plano espiritual, visto que vários outros movimentos chegavam para contrariar os princípios ligados à doutrina cristã.

Em meio a toda essa evolução, a descoberta de novos mercados que ultrapassassem os domínios europeus representaria um grande avanço. Foi assim que no século XV tiveram início as grandes navegações com vistas à expansão marítima e comercial. Portugal e Espanha foram os grandes responsáveis por significativos inventos: a bússola, o astrolábio e a caravela. Enfrentando os obstáculos além-mar, partiram em busca de novos propósitos, como bem representa o comércio realizado com as Índias, referente às suas especiarias.

Diante de todo esse encorajamento, o homem passou a se valorizar em toda a sua plenitude. As forças, antes consagradas apenas pelo poder do Criador, revelavam um instinto voltado para o racional. Surgia daí uma nova concepção – o antropocentrismo, cuja visão se voltava para as forças humanas.

As transformações advindas deste movimento se originaram na Península Itálica em virtude da forte urbanização das cidades italianas, que demonstraram os primeiros indícios evolutivos. As produções literárias, manifestadas pelo movimento Dolce Stil Nuovo (Doce Estilo Novo), retratavam inovações quanto à métrica e ao conteúdo das criações. As cantigas trovadorescas cediam lugar aos versos decassílabos e heptassílabos, representados pelos sonetos italianos de Petrarca. Outras grandes figuras foram: Dante Alighieri, autor de A Divina Comédia, e Giovanni Boccaccio, com sua obra Decameron – uma coleção de contos literários voltada para o entretenimento.