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Construção Textual

Texto:
por: Luana Castro Alves Perez

Uso dos clichês e a objetividade na escrita


O uso dos clichês pode comprometer a objetividade na escrita e conferir ambiguidade e redundância nas estruturas sintáticas.





O uso dos clichês pode comprometer a objetividade na escrita, denotando, assim, excessos linguísticos
O uso dos clichês pode comprometer a objetividade na escrita, denotando, assim, excessos linguísticos



Para você, o que significa ser objetivo na escrita?

A ideia de escrever objetivamente está relacionada não só com a rapidez na composição da mensagem, mas também à maneira como expomos nossas ideias. Ser objetivo significa não apenas ser sucinto e econômico na linguagem, mas também ser preciso no uso de termos, evitando assim ambiguidades e excessos linguísticos. Será que estamos observando a maneira como escrevemos? Somos precisos e eficientes ou ambíguos e prolixos?

Os clichês, chavões e frases feitas são recursos aos quais frequentemente recorremos. Quando fazemos isso, dificilmente analisamos a real eficiência desses “cacoetes” para a trama do texto. Podemos chamá-los de cacoetes porque são classificados como vícios de linguagem, tanto na escrita quanto na oralidade, e são, na maioria das vezes, estruturas incipientes e vazias de sentido. Quem nunca começou uma narrativa com o chavão “era uma vez”? São termos tão utilizados que por fim acabamos por internalizá-los, utilizando-os à exaustão.

Antes de mais nada (olha o clichê!), vamos elencar alguns dos principais clichês que empobrecem e vulgarizam nossos textos:

Um belo dia, notando certo clima de animosidade entre os membros de sua equipe, o chefe do departamento pessoal da empresa encaminhou a seguinte mensagem para seus subordinados:

Antes de mais nada, é de vital importância que os colaboradores compreendam suas funções para o melhor desempenho da equipe. Inserido no contexto em questão, devemos nos atentar às relações estabelecidas uns com os outros, primando pela cordialidade, evitando assim batermos de frente com os colegas.

Gostaria de fazer uma colocação sem intenção de gerar polêmica: cada funcionário deve estar consciente das obrigações que lhes são atribuídas para evitar um choque de interesses. Devemos aparar as arestas e fazer por merecer nosso espaço na equipe. Somos fonte inesgotável de particularidades, devemos, pois, manter o respeito uns com os outros a fim de evitarmos prejuízos incalculáveis nas relações interpessoais. Por último, porém não menos importante, gostaria de reforçar que devemos preparar uma calorosa recepção para os novos funcionários, para que eles se sintam bem recebidos.

Trabalhando corações e mentes, tenho certeza de que estaremos rumo a um estrondoso sucesso!

Att.

Chefe do departamento pessoal.

O leitor mais cuidadoso certamente ficou incomodado com o texto acima. Talvez você não tivesse percebido, não fosse o destaque dado aos termos, a quantidade de clichês e chavões empregados. Esses termos, habitualmente, não prejudicam a compreensão, tampouco comprometem a comunicação, mas carregam nossa escrita de repetições abusivas. Se você fizer uma leitura mais cuidadosa, perceberá também que os clichês utilizados no texto denotam ideias redundantes, absolutamente desnecessárias. Sendo assim, evite esses termos sempre que possível, pois, na maioria das vezes, eles são dispensáveis na construção do texto, embora possam ser usados, comedidamente, na fala.