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Ortografia

Texto:
por: Mariana Rigonatto

Uso dos porquês


Existem critérios semânticos e sintáticos que determinam o uso dos porquês em língua portuguesa.





Porque eles possuem diferentes funções sintáticas e semânticas
Porque eles possuem diferentes funções sintáticas e semânticas



Observe o uso da palavra “porque” na música de Gilberto Gil e Bruno Ferreira:

FREVO RASGADO

Foi quando topei com você
Que a coisa virou confusão
No salão
Porque parei, procurei
Não encontrei
Nem mais um sinal de emoção
Em seu olhar

Aí eu me desesperei
E a coisa virou confusão
No salão
Porque lembrei
Do seu sorriso aberto
Que era tão perto, que era tão perto
Em um carnaval que passou
Porque lembrei
Que esse frevo rasgado
Foi naquele tempo passado
O frevo que você gostou
E dançou e pulou

Foi quando topei com você
Que a coisa virou confusão
No salão
Porque parei, procurei
Não encontrei
Nem mais um sinal de emoção
Em seu olhar

A coisa virou confusão
Sem briga, sem nada demais
No salão
Porque a bagunça que eu fiz, machucado
Bagunça que eu fiz tão calado
Foi dentro do meu coração

É possível notar que os compositores utilizam a conjunção no sentido de estabelecer uma relação de sentido entre uma causa e suas consequências:

Causas

Consequências

Porque parei, procurei

Não encontrei

Nem mais um sinal de emoção

Em seu olhar”

“a coisa virou confusão

No salão”

Porque lembrei

Do seu sorriso aberto

Que era tão perto, que era tão perto

Em um carnaval que passou

Aí eu me desesperei

E a coisa virou confusão

No salão

Porque lembrei

Que esse frevo rasgado

Foi naquele tempo passado

O frevo que você gostou

E dançou e pulou

Aí eu me desesperei

E a coisa virou confusão

No salão

Porque a bagunça que eu fiz, machucado

Bagunça que eu fiz tão calado

Foi dentro do meu coração

A coisa virou confusão

Sem briga, sem nada demais

No salão


Assim, quando a palavra for escrita junta e sem acento, seu valor semântico será de “pois”, “uma vez que” ou “para que” e possuirá a função sintática de conjunção causal ou explicativa. Esses critérios (semânticos e sintáticos) determinam o uso dos diferentes porquês em língua portuguesa. Vamos analisá-los detalhadamente a seguir:

  • PORQUE: é uma conjunção causal ou explicativa, podendo ser substituída por “pois”, “uma vez que” ou “para que”.

Exemplo:

Estude, porque as provas serão na próxima semana.

  • PORQUÊ: é um substantivo, podendo ser acompanhado de artigo, pronome, adjetivo ou numeral.

Exemplo:

Não sabia o porquê de tanta ansiedade.

  • POR QUE: (1) é a junção da preposição por + pronome interrogativo ou indefinido e inicia perguntas diretas ou está presente no interior de perguntas indiretas, podendo ser substituído por “por qual razão” ou “por qual motivo”. (2) é a junção da preposição por + pronome relativo e terá o significado de “pelo qual” e suas flexões.

Exemplos:

Quero saber por que você não atende meus telefonemas.

Os lugares por que viajei são inesquecíveis.

  • POR QUÊ: é a junção da preposição por + pronome interrogativo. Aparecerá sempre no final de uma frase, podendo ser substituído por “por qual motivo”, “por qual razão”.

Exemplos:

Você parece triste, por quê?

Ela está chorando sem saber por quê.