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Literatura Portuguesa

Texto:
por: Vânia Maria do Nascimento Duarte

Fernando Pessoa


Fernando Pessoa é um dos maiores escritores da literatura em língua portuguesa e certamente ocupa lugar de destaque também na literatura mundial.





Navegar é preciso, viver não é preciso – Fernando Pessoa
Navegar é preciso, viver não é preciso – Fernando Pessoa



Biografia de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa, nascido em 13 de junho de 1888, em Lisboa, ficou órfão de pai aos 5 anos de idade. Desde então, foi levado para Durban, África do Sul, onde realizou seus estudos correspondentes ao primeiro e segundo graus. Retornando sozinho para Lisboa, em 1905, ingressou no curso superior de Letras, embora tenha desistido no ano seguinte.

Na década de 1910, colaborou em várias revistas de caráter nacionalista, ao mesmo tempo em que travava contato com as vanguardas europeias. Em 1915, época do lançamento da revista Orfheu, publicou a “Ode Triunfal” e a “Ode Marítima”, seguidas de outros textos que já revelavam seu inigualável talento.

A trajetória do artista foi marcada por intensas crises nervosas acompanhadas de depressão e exageros alcoólicos, os quais corroboravam para seu total refúgio, compartilhando um sentimento de melancolia e solidão. Em decorrência desses fatores, faleceu aos 47 anos, em 30 de novembro de 1935, em Lisboa, vitimado por uma cirrose hepática.

Obra

Sua vastíssima obra só foi editada em livro após sua morte, com exceção de Mensagem e os poemas em inglês, quando os críticos descobriram a riqueza do seu legado. As obras nas quais aparece ele próprio como autor são os poemas reunidos no chamado Cancioneiro, os Poemas dramáticos (1952), as poesias: À memória do presidente-rei Sidônio Pais (1940) e Quinto Império, as Quadras ao gosto popular, os poemas ingleses e franceses, os que foram corrigidos posteriormente, e as traduções, entre as quais O Corvo e mais dois poemas de Edgar Allan Poe. Em virtude de uma característica bastante evidenciada em Álvaro de Campos – o erotismo hedonista e arrebatado, sobretudo em Epithalamium e English Poems III (1921), muitos de seus poemas em inglês foram dignos de total atenção por parte de pesquisadores.

Torna-se digno de nota, antes de tudo, que Fernando Pessoa, apesar de ter se revelado como um artista composto por vários “eu” poéticos, sobretudo no tocante à heteronímia, também assinou vários poemas com seu verdadeiro nome – caracterizados pelo que denominamos de poesia ortônima. Nessa modalidade, a pessoa aparece como ela mesma.

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A obra de Pessoa possui notórios traços ligados à tradição literária portuguesa, tais como o saudosismo, sebastianismo (sentimento relacionado ao desaparecimento de D. Sebastião) e o visionarismo em relação à nacionalidade lusitana – concepções intrínsecas à própria visão de mundo do poeta, concebida como politicamente conservadora.

Sua poesia de cunho nacionalista, composta em Mensagem, caracteriza-se como poemas épicos, os quais têm como unidade temática as grandes navegações. Nesses prevalecem um sentimento marcado por uma intensa melancolia em relação ao futuro de Portugal, visto como algo sombrio quando comparado como passado glorioso, demarcado pelas descobertas marítimas, como bem nos retratam os excertos contidos no poema intitulado Nevoeiro:

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

(Trechos extraídos da Obra Poética, Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1976)

No que se refere à produção lírica, esta se encontra manifestada em Cancioneiro, na qual são retratados temas ligados à infância, vida, arte, solidão, saudade, entre outros, sempre associados a um clima nostálgico do passado em consonância ao tédio vivido pelo presente.

Grandes mistérios habitam
O limiar do meu ser,
O limiar onde hesitam
Grandes pássaros que fitam
Meu transpor tardo de os ver.

São aves cheias de abismo,
Como nos sonhos as há.
Hesito se sondo e cismo,
E à minha alma é cataclismo
O limiar onde está.

Então desperto do sonho
E sou alegre da luz,
Inda que em dia tristonho;
Porque o limiar é medonho
E todo passo é uma cruz.

Alberto Caeiro

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